“Flávio Bolsonaro é candidato dos bancos, das bets e dos bilionários, não do trabalhador”, critica Zeca Dirceu
Parlamentar questiona propostas atribuídas ao senador, como cortes de até R$ 300 bilhões nas despesas públicas, e alerta para os efeitos sobre serviços públicos, renda e direitos de quem vive do próprio trabalho

O que acontece com a saúde, a educação e a renda dos trabalhadores quando a prioridade de um governo é cortar gastos públicos e atender aos interesses dos mais ricos? Para o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), essa é uma das perguntas centrais que precisam ser respondidas por Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República. Zeca classifica o senador como o candidato dos “bancos, das bets e dos bilionários” e questiona quem seria beneficiado por suas propostas econômicas.
Reportagens sobre as discussões da equipe econômica de Flávio apontaram a possibilidade de cortes de R$ 250 bilhões a R$ 300 bilhões nas despesas públicas. Entre as medidas mencionadas estão mudanças nas regras de gastos mínimos com saúde e educação e alterações em benefícios previdenciários e assistenciais.
“É preciso perguntar quem vai pagar essa conta. Quando se fala em cortar centenas de bilhões do orçamento, estamos falando de recursos que financiam serviços usados diariamente pela população. O trabalhador precisa saber se vai ter atendimento de saúde, escola pública e proteção social ou se vai ser chamado a fazer sacrifícios enquanto os mais ricos continuam protegidos”, afirma Zeca.
Trabalhador de um lado, grandes interesses do outro
Para o deputado, o debate econômico não pode ser separado das condições de vida de quem depende do salário. A discussão sobre a escala 6×1 é um exemplo: enquanto trabalhadores reivindicam mais tempo para descansar, cuidar da família e viver.
“Quem trabalha seis dias para descansar um precisa saber como melhorar a vida de quem trabalha, e não tratar direitos como obstáculos para atender aos interesses dos grandes empresários”, diz o parlamentar.
Zeca Dirceu também critica propostas de privatização que poderiam alcançar empresas como Petrobras, Banco do Brasil, Caixa e Correios. Para ele, a discussão envolve o papel dessas instituições no desenvolvimento do país e no acesso da população a serviços essenciais.
Apostas e endividamento das famílias
Outro ponto do argumento de Zeca Dirceu é o crescimento das bets e seus efeitos sobre o orçamento doméstico. Para muitas famílias, as apostas esportivas se tornaram uma preocupação por causa do endividamento e da perda de renda. O deputado defende que o debate sobre o setor considere os impactos sociais, e não apenas os interesses econômicos de quem lucra com esse mercado.
“Não dá para falar em responsabilidade com a economia e ignorar famílias endividadas, trabalhadores pressionados e serviços públicos que podem perder recursos. A pergunta é simples: as propostas de Flávio melhoram a vida da maioria dos brasileiros ou protegem os interesses de quem já tem muito?”, questiona Zeca.
Na avaliação do parlamentar, a eleição precisa colocar no centro as escolhas que afetam o cotidiano da população: emprego, salário, jornada de trabalho, saúde, educação e proteção social. Para ele, o rótulo de candidato BBB resume uma crítica política que Flávio precisa responder: quais grupos terão prioridade em um eventual governo e quem arcará com o custo das decisões econômicas?
