Zeca Dirceu: “Quem fala em cortar R$ 190 bilhões precisa dizer se aceita tirar dinheiro da educação”
Parlamentar, que participa da Comissão de Educação da Câmara Federal há mais de 15 anos, critica proposta de Flávio Bolsonaro e contrapõe redução de gastos à política de expansão da educação no governo Lula

“Quem fala em cortar R$ 190 bilhões precisa dizer de onde vai tirar esse dinheiro. Vai tirar da educação? Vai tirar da saúde? Vai tirar da oportunidade dos nossos jovens?”. O questionamento é do deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), ao criticar a proposta de Flávio Bolsonaro de reduzir as despesas federais em 1,5% do PIB.
Para Zeca Dirceu, a discussão não pode ficar restrita a um número apresentado como solução para as contas públicas. R$ 190 bilhões representam uma economia de enorme dimensão: o orçamento federal previsto para a Educação em 2026 é de R$ 233,7 bilhões. Se o corte recaísse integralmente sobre a área, equivaleria a 81% de todo esse orçamento.
“É muito fácil falar em cortar. Difícil é olhar para uma mãe e dizer que vai faltar recurso na escola do filho. Difícil é explicar para um jovem que esperou anos por uma vaga que agora o investimento vai diminuir. Difícil é dizer para uma cidade do interior que não haverá expansão de instituto federal ou universidade. É disso que estamos falando quando colocamos números desse tamanho na mesa”, afirma.
“Lula está fazendo o caminho da expansão”
O deputado, que tem a educação como uma das principais bandeiras de sua atuação no Congresso e integra há 16 anos consecutivos a Comissão de Educação da Câmara, afirma que o governo Lula escolheu outro caminho: ampliar o acesso e criar condições para que os estudantes permaneçam estudando.
Zeca Dirceu cita como exemplo o Pé-de-Meia, política criada pelo governo federal para incentivar a permanência e a conclusão do ensino médio, além da expansão da rede de institutos federais e dos investimentos nas universidades e na educação profissional.
“Enquanto uns estão discutindo onde cortar, Lula está discutindo onde abrir uma escola, onde criar um instituto federal, como colocar mais jovens na universidade e como fazer esse jovem permanecer estudando. Essa é a diferença de projeto”, alertou.
Para o deputado, a educação precisa ser vista como investimento no desenvolvimento do país, especialmente para quem vive longe dos grandes centros.
“Eu sou apaixonado pela educação porque sei o que ela representa para quem não nasceu com oportunidade. Uma escola pública boa pode mudar uma vida. Um instituto federal pode mudar uma família inteira. Uma universidade pode mudar uma cidade. Não dá para falar em futuro para o Brasil e, ao mesmo tempo, tratar a educação como se fosse um lugar para procurar dinheiro para cortar”, defendeu.
A própria dimensão do ajuste anunciado, segundo Zeca Dirceu, exige que Flávio Bolsonaro apresente de forma objetiva quais despesas pretende reduzir.
“O brasileiro merece saber a verdade antes de votar. Se a proposta é economizar R$ 190 bilhões, mostre a conta. Mostre o que será cortado. Porque eu prefiro um governo que olha para uma criança e pergunta ‘o que falta para ela estudar?’ do que um governo que olha para a educação e pergunta ‘quanto dá para cortar?’”, conclui.
