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31/07/26 12:29

Mais de 120 educadores do Paraná apresentam propostas a Zeca Dirceu para plano de governo de Lula e Requião Filho na educação

Encontro reuniu professores, pesquisadores, gestores, estudantes e dirigentes de universidades para construir propostas que vão desde a educação básica até a pós-graduação

"Pensar o futuro da educação com quem vive a escola todos os dias". Foi com esse objetivo que o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), integrante da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados há 16 anos consecutivos, reuniu mais de 120 representantes da educação paranaense em um grande encontro de escuta para construir propostas destinadas aos programas de governo do presidente Lula e do candidato ao Governo do Paraná, Requião Filho.

Durante cerca de duas horas, professores da educação básica, universitários, pesquisadores, dirigentes de universidades e institutos federais, gestores municipais e lideranças educacionais apresentaram diagnósticos, críticas, sugestões e prioridades para os próximos anos. As contribuições serão sistematizadas pelo mandato de Zeca e encaminhadas para o debate nacional sobre as políticas públicas para a educação.

Ao abrir a reunião, Zeca lembrou sua trajetória de 16 anos ininterruptos na Comissão de Educação da Câmara e afirmou que o momento exige mais do que defender o legado construído nos governos do PT.

"É muito importante que a gente tenha ousadia de pensar fora da caixa. O eleitor quer saber quais serão os próximos avanços, quais serão os nossos compromissos com professores, universidades, institutos federais e com toda a educação. Quero me somar a vocês nesse desafio de visualizar o futuro e construir essas propostas", afirmou.

O deputado também destacou a recuperação dos investimentos federais desde 2023, após anos de cortes no orçamento da educação, ciência e tecnologia promovidos pelos governos Temer e Bolsonaro.

Permanência estudantil e valorização da pesquisa

Uma das principais preocupações apresentadas durante a reunião foi a permanência de estudantes nas universidades públicas. Representando a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), a estudante Maira Oliveira defendeu que o próximo mandato fortaleça a assistência estudantil, principalmente por meio da atualização das bolsas de permanência.

"A universidade mudou de perfil. Hoje recebe estudantes que antes não tinham acesso ao ensino superior, mas muitos acabam desistindo porque o investimento na assistência estudantil não acompanhou essa expansão", afirmou. Ela pediu que Zeca Dirceu lidere no Congresso a defesa da ampliação do orçamento para permanência estudantil e da atualização dos valores das bolsas.

A pauta também foi reforçada por Matheus Folador, representante da Associação dos Pós-Graduandos da Unioeste. Além de agradecer o apoio de Zeca na aprovação do projeto que garante direitos previdenciários aos pós-graduandos – atualmente em tramitação no Senado – Matheus defendeu uma legislação permanente para assegurar reajustes periódicos das bolsas de mestrado e doutorado.

“Além da defesa dos direitos previdenciários, a gente precisa construir uma legislação que garanta reajustes periódicos das bolsas de pesquisa. O governo Lula promoveu, em 2023, um reajuste que não acontecia havia dez anos, mas essas pautas precisam continuar avançando", afirmou. Folador ainda reforçou a necessidade de reformular a Lei Geral das Universidades (LGU) do Paraná, apontando que a legislação impacta diretamente o ensino, a pesquisa e a extensão nas universidades estaduais.

Currículo, formação crítica e reforma do ensino médio

Outro eixo importante da reunião concentrou-se na qualidade da formação oferecida aos estudantes.

Professor de História e secretário de Comunicação do PT Paraná, Marlon Alessandro afirmou que o debate sobre currículo precisa voltar ao centro das políticas públicas. Segundo ele, a escola deve formar profissionais qualificados para o mercado de trabalho, mas também cidadãos críticos, conscientes dos seus direitos e capazes de interpretar a realidade.

“A gente precisa de um ensino médio que não seja apenas tecnicista. A educação que defendemos também precisa formar cidadãos emancipados, que conheçam seus direitos, tenham consciência crítica e consigam compreender os diferentes projetos de país", afirmou.

Recuperação dos investimentos

Professor da rede estadual e servidor da Itaipu Binacional, Roberto Piano destacou que a retomada dos investimentos federais demonstra como políticas públicas estruturantes conseguem transformar a educação.

"A Itaipu investiu quase R$ 1 bilhão na UNILA, criou programas de bolsas e vai atender 12 mil estudantes com o Mais Enem. Isso mostra a diferença entre um governo que valoriza a educação e outro que representou um atraso para o país", disse.

Planejamento de longo prazo para universidades

O diretor-geral da UTFPR de Guarapuava, Marcelo Granza, ressaltou que as universidades federais ainda enfrentam dificuldades para planejar investimentos devido à imprevisibilidade orçamentária.

"Seria importante que o Ministério da Educação construísse um plano plurianual para garantir previsibilidade orçamentária. Assim, as instituições poderiam planejar investimentos em laboratórios, infraestrutura e expansão", sugeriu.

Avaliação da educação entra no centro do debate

O professor da Unioeste, Paulo Koling, levou ao encontro uma das discussões mais profundas da reunião. Para ele, chegou o momento de revisar o próprio modelo de avaliação da educação brasileira.

"Precisamos discutir de forma muito mais consistente se os sistemas de avaliação realmente conseguem medir a qualidade da educação ou se acabam priorizando apenas indicadores estatísticos", argumentou.

Segundo Koling, indicadores como Ideb, Enem e Enade passaram a orientar excessivamente o funcionamento das redes de ensino, fazendo com que muitas escolas priorizem resultados estatísticos em detrimento da qualidade efetiva da aprendizagem.

Ele defendeu uma ampla pesquisa nacional sobre os atuais sistemas de avaliação e questionou o crescimento de consultorias voltadas apenas para melhorar indicadores.

Educação inclusiva e valorização do magistério

A professora da rede pública de Guarapuava, e candidata à suplente ao Senado, Cris Wainer, trouxe para o debate uma preocupação presente em diversos municípios brasileiros.

"Precisamos garantir que a educação inclusiva tenha a qualidade que os estudantes merecem. Também enfrentamos déficit de professores porque as carreiras deixaram de ser atrativas. Esse é um debate que precisa ser enfrentado", afirmou.

Cris também alertou para a crescente dificuldade enfrentada pelos municípios para cumprir o piso nacional do magistério, situação que vem tornando a carreira docente menos atrativa e agravando a falta de professores.

Educação como prioridade nacional

Ao longo da reunião, também foram discutidas estratégias para ampliar o diálogo com a sociedade sobre os investimentos federais em educação e a importância das posições assumidas pelos parlamentares em votações relacionadas ao setor.

O professor Maricelso Ribeiro, de Piraí do Sul, defendeu que o debate político vá além da entrega de obras e inclua o posicionamento dos parlamentares. "Além de perguntar quem trouxe a obra, precisamos perguntar como esse deputado votou nas propostas relacionadas à educação, aos servidores públicos e às grandes pautas do país", afirmou.

Já Zeca aproveitou o encontro para convidar os participantes para a plenária nacional da Fundação Perseu Abramo voltada à construção das propostas educacionais do programa de governo, reforçando que o debate realizado no Paraná fará parte de uma mobilização nacional.

Escuta permanente

A reunião integra uma prática consolidada do mandato de Zeca Dirceu. Desde seu primeiro mandato, em 2011, o deputado tem promovido encontros periódicos com reitores, diretores de universidades, institutos federais, pesquisadores, estudantes, professores e gestores educacionais para discutir prioridades da educação brasileira.

As contribuições dessas agendas têm subsidiado a atuação do parlamentar na Comissão de Educação da Câmara, especialmente nos debates sobre o Plano Nacional de Educação (PNE), recomposição do orçamento das universidades e institutos federais, fortalecimento da educação pública e alinhamento entre os planos municipais, estaduais e nacional de educação.

Também fazem parte desse trabalho as articulações junto ao Ministério da Educação para encaminhamento de demandas de universidades e institutos federais do Paraná, além do apoio a iniciativas de expansão e inclusão educacional, como as ações voltadas ao Instituto Federal do Paraná (IFPR).

Ao encerrar o encontro, Zeca reafirmou que as propostas apresentadas pelos participantes não ficarão apenas no debate.

"Quem faz a educação acontecer todos os dias conhece como ninguém os desafios e também as soluções. Nosso compromisso é transformar essas contribuições em propostas concretas para fortalecer o projeto educacional que queremos para o Brasil e para o Paraná", concluiu.

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