
Três anos após as invasões às sedes dos Três Poderes, o Palácio do Planalto voltou a ser palco, nesta quinta-feira (08), de um gesto político carregado de simbolismo em defesa da democracia brasileira. Durante cerimônia que reuniu autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o presidente Lula (PT) vetou integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria, aprovado pelo Congresso no fim de 2025, que previa a redução de penas para condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Presente ao ato, o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) destacou que a decisão do presidente representa uma resposta institucional clara à tentativa de ruptura democrática. “Sem anistia. O presidente Lula acaba de vetar integralmente o projeto que reduzia as penas dos golpistas. O 8 de janeiro é um dia que jamais será esquecido e que não pode se repetir”, afirmou o parlamentar durante o evento.

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Segundo Zeca, o veto reafirma que ataques à democracia não podem ser relativizados nem esquecidos. “Os golpistas vão continuar pagando caro por tudo o que fizeram de mal ao nosso país, pela destruição do patrimônio público e pela tentativa de derrubar a democracia brasileira”, completou. O deputado ressaltou ainda que participou da cerimônia representando o Paraná e destacou o caráter histórico do momento. “É um dia de resistência e de defesa do Estado Democrático de Direito”.
Instituições fortes
A cerimônia marcou não apenas a memória do 8 de Janeiro, mas também a reafirmação do papel das instituições. Em discurso, o presidente Lula classificou a data como “o dia da vitória da democracia brasileira” e afirmou que a tentativa de golpe deixou uma lição fundamental ao país: a democracia é uma obra permanente, que exige vigilância constante. “A democracia não é apenas o direito de votar. Ela requer participação social, justiça, menos privilégios e mais direitos”, afirmou.
Lula também destacou que a resposta aos ataques só foi possível graças à firmeza das instituições. Para o presidente, o julgamento dos responsáveis pelo Supremo Tribunal Federal, com garantia de amplo direito de defesa, é uma das maiores provas da força democrática do país. “Talvez a prova mais contundente do vigor da democracia brasileira seja o julgamento dos golpistas pelo STF”, disse.
O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou o caráter simbólico do encontro ao lembrar que, após o 8 de janeiro, os Três Poderes reagiram de forma unificada. “As pessoas passam, as instituições ficam. E são as boas instituições que fazem o país avançar”, afirmou. Alckmin destacou ainda que a democracia é condição essencial para o desenvolvimento econômico, a redução das desigualdades e a projeção internacional do Brasil. “Sem soberania, a democracia é um simulacro”, disse.
Para Zeca Dirceu, a cerimônia desta quinta-feira está além de uma lembrança do passado recente. “Descer a rampa do Planalto três anos depois, ao lado do presidente Lula, é reafirmar que o Brasil escolheu a democracia e que não aceitará retrocessos”, concluiu o deputado.

Foto: Gabriel Paiva